• 2020-06-02
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  • Por: Raquel Campello

A febre do Podcast

O Futuro do áudio acontece agora

Os serviços de podcast tem tido cada vez mais popularidade e agora, principalmente, por sua conexão com serviços de streaming.

Não é algo tão recente quanto se pensa: em 2005, a americana Apple se tornou a primeira empresa a abrir sua plataforma, o iTunes, para este novo formato de áudio. Inicialmente visto como um programa de rádio gravado e que poderia ser ouvido no momento em que o consumidor bem entendesse, a produção independente era o que dominava o mundo do podcast: dentro de casa, pessoas comuns seguiam a onda do início do YouTube e de conteúdo para internet e criavam seus próprios programas de áudio. Por este fator, durante certo tempo o podcast ficou ainda em “banho-maria”, sem muita expressão numérica no grande público. Porém, desde o começo da década de 2010, o podcast tem invadido os celulares e computadores de diversas pessoas, tornando-se assunto comum no cotidiano de muitas. 

A “The Infinity Dial 2019”, maior pesquisa digital já realizada sobre hábitos de consumo nos Estados Unidos, mostrou que na população americana de idade de 12 anos para cima, o número total de pessoas que já ouviram um podcast passou de 50% pela primeira vez. Pessoas ouvidas pela pesquisa declararam ainda escutar uma média de 17 horas de podcast por semana. Até janeiro de 2019, os mecanismos de pesquisa (que utilizaram dados coletados de uma série indústrias e plataformas de streaming e outros tipos de mídia) apuraram que pelo menos 90 milhões de americanos ouviram um podcast em algum momento do ano. Segundo os pesquisadores, isso demonstra que é seguro afirmar que o formato de áudio finalmente pode ser considerado “mainstream”, ou seja, já é parte relevante do consumo de mídia do público geral. 

Foi aqui que a indústria começou a despertar: será que já é momento de investir no podcast? O sueco Spotify e o francês Deezer apostaram que sim. Em 6 de fevereiro do ano passado, o fundador e CEO do Spotify, Daniel Ek anunciou que “é seguro presumir que com o tempo, mais de 20% do conteúdo ouvido no Spotify será nãomusical”, e que estava naquele momento firmando a compra de duas grandes companhias de podcast: a Gimlet Media, criadora de conteúdos de áudio bem sucedidos como o famoso “Homecoming”, e a Anchor, responsável pela criação do aplicativo de mesmo nome que agiliza a produção e a publicação de podcasts. Ainda segundo Ek, “Considerando que a próxima década será definida por uma experiência de áudio mais imersiva e personalizada, também será definida por forte competição.” Ele não está errado: o Deezer não ficou para trás e já tem investido em conteúdo não-musical, partindo da mesma visão da concorrente: segundo Thiago Rangel, diretor de serviço não-musical da Deezer “É uma evolução natural: os serviços que tinham apenas música estão virando plataformas de streaming de áudio em geral. 

As pessoas querem simplificar a vida e ter conteúdo em um lugar só.” Assim como abalaram as estruturas da indústria fonográfica, os gigantes do streaming prometem trazer uma solução forte no mundo do podcast contra o grande vilão do mercado midiático: a pirataria. Daniel Ek declarou, a respeito do assunto, que “Finalmente, se formos bemsucedidos (no investimento em podcasts), nós vamos começar a competir mais amplamente por tempo contra todas as formas de entretenimento e serviço informativo informal, não apenas no setor de streaming musical. Concorrência justa em um mercado igualitário é o que rende as mais criativas produções e inovações, e é o que vai resultar na melhor experiência para ouvintes e criadores de conteúdo.”

O mundo televisivo e os canais do YouTube, assim como blogs e outras áreas do entretenimento não querem perder seu lugar à mesa: todo mundo agora tem seu Podcast. Com tanta novidade e tanto para crescer, algo é certo: o futuro rende muito investimento e muito crescimento para quem cria, ouve e ama podcast.